Depois de dois anos difíceis, mercado de imóveis de alto padrão alcança equilíbrio e tem expectativa de melhora
O mercado de escritórios celebra
um período de equilíbrio.
Números da pesquisa recém divulgada
pela consultoria Jones
Lang La Salle apontam um crescimento
de 8% do setor em São
Paulo durante o ano de 2005.O
resultado ficou um ponto porcentual
abaixo do registrado
no ano anterior. Mesmo assim,
os índices são comemorados entre
os investidores. "A recuperação
do mercado se consolidou",
considera Clarisse Etcheverry,
uma das responsáveis
pela equipe de Consultoria,
Avaliações e Pesquisas (CAP)
da empresa.
Entre os anos de 2003 e
2004, explica a especialista, o
setor havia passado por um período
de retração, com queda
nos preços de locação e grande
volume de imóveis em estoque,
sem absorção.Mas o quadro começou
a se reverter em 2004 e
se manteve estável em 2005,
dando fôlego aos investidores.
Outro dado que reforça a análise
da retomada da força do
mercado de escritórios é o fato
de seu desempenho ter ficado
bem acima do crescimento do
Produto Interno Bruto (PIB)
brasileiro, fechado em 2,6% no
ano passado.
A recuperação do mercado
se reflete principalmente em
dois índices: a taxa de absorção
líquida (volume de imóveis ocupados
em metros quadrados) e
a taxa de vacância (que mede o
porcentual de unidades vagas).
De 2004 para 2005, a absorção
líquida registrou uma pequena
queda, de 127 mil metros quadradospara125milmetrosquadrados-
variação que é considerada
como estabilidade e não
um recuo efetivo do mercado.
Já a taxa de vacância obteve
uma queda significativa. Passou
de 23,8%, em 2004, para
21,07%, em 2005 - o que representa
um progresso. Segundo
Clarisse, um mercado maduro
como o de Frankfurt (Alemanha)
ou do México mantém esse
índice um pouco abaixo de15%-
meta que deve ser atingida em
São Paulo no ano de 2008, segundo
projeções otimistas da
consultoria.
Para chegar a esses números,
a Jones Lang LaSalle restringiu
sua pesquisa a imóveis
de alto padrão, de classificações
AA - com laje superior a
800 metros quadrados,pé direito
de no mínimo 2,70 metros,
presença de heliponto e uma vaga
de garagem a cada 30 metros
quadrados - e A (laje superior
a 500 metros quadrados,
entre outros critérios).
OTIMISMO
As perspectivas para o futuro
são boas. "É momento de voltar
a olhar o mercado com bons
olhos.O susto passou", garante
a consultora. Para este ano, os
analistas apostam na estabilidade.
Contribuem para essa análise
o baixo estoque de imóveis
previsto para ser entregue em
2006 - um volume da ordem de
74 mil metros quadrados. Esse
número deve permanecer baixo
até 2007, na previsão dos especialistas.
Assim, a taxa de vacância
recuaria e a absorção líquida
sofreria um aumento.
Três cenários possíveis foram estudados pelos especialistas:
Um conservador, outro realista
e por fim,um otimista. Todos
apostam na tranqüilidade
do mercado e uma melhora do
desempenho do setor gradualmente.
Não são esperados grandes
saltos de crescimento, nem
recuos graves dos índices.
TENDÊNCIAS
Hoje, as vias que mais concentram empreendimentos comerciais de alto padrão em SãoPaulo
são a Marginal do Pinheiros,
a Rua Verbo Divino e a Avenida
Engenheiro Luís Carlos Berrini.
Esta última é a que tem
maior volume de imóveis do tipo AA.
Mas,de acordo com Clarisse,
nessas localidades, o terreno está supervalorizado-
custo que não é totalmente repassado
para produto final e assim
reduz o lucro das incorporadoras.
Por essa razão, num
futuro próximo, e "por motivos
óbvios", a tendência é
que a região do Largo da Batata
seja também ocupada
por imóveis deste padrão,segundo
prevêem os consultores.
"É a continuidade da
Avenida Faria Lima, já tem
metrô,tem boa infra-estrutura",
afirma a especialista.